Desenvolvimento
13 mar 2015

Do vazio… ao preenchimento: uma experiência com TEA

Do vazio, ao preenchimento: uma experiência com TEA

Sempre gostei muito de ler sobre o autismo, mas nunca me senti preparada para escrever alguma coisa sobre o assunto. Mas hoje tenho a honra de ter um artigo sobre o TEA (Transtorno do Aspectro Autista) aqui no blog escrito pela Adriana Cabral, psicopedagoga. Qualquer dúvida não deixem de perguntar, tenho certeza que a Adriana ficará muito feliz em responder…Vamos ao artigo…

A vida tem encontros que modificam e ampliam a nossa forma de estar no mundo. Atuo como psicopedagoga clínica e professora no Ensino Fundamental I e tive a felicidade de vivenciar um desses momentos quando recebi em minha classe do ensino regular (alfabetização) uma criança com TEA (transtornos do espectro autista).

Meu movimento foi o de buscar suporte teórico e assim, saí em busca de uma formação. Estudei, estabeleci parcerias, mas o que percebi com o fazer diário foi que a teoria, imensamente válida e necessária, só poderia sustentar as práticas cotidianas alicerçada no desejo genuíno de trabalhar com as diferenças, à medida que eu pudesse reconhecer e integrar todas as dificuldades e os desafios que essa experiência proporcionasse.

Pois afinal, do que se trata a inclusão de uma criança com TEA? Que dificuldades ou desafios poderiam se apresentar?
O espectro autista abrange transtornos que afetam a linguagem, a interação social e a capacidade de imaginação. Pode apresentar-se de formas diferentes, numa gradação que vai da mais leve à mais grave e, independente do maior ou menor grau, evidenciam-se questões que se apresentam na dificuldade de comunicação verbal e não verbal, na falta de recursos para se relacionar e na tendência a apresentar comportamentos repetitivos.

Nesse sentido, pensar essa inclusão escolar implica cuidar de uma estrutura de trabalho que envolve o número de alunos na turma, a mediação, o plano de desenvolvimento individual, a adaptação de atividades, a construção de material pedagógico diferenciado, a integração entre os alunos, a valorização e o respeito às diferenças, o trabalho de equipe, o suporte da coordenação pedagógica e da orientação educacional, o diálogo constante com a família, o espaço de troca entre os professores e, principalmente, a atenção e o cuidado com os limites internos, os sentimentos e a expectativa das pessoas envolvidas nesse processo.

Isso porque estamos lidando com uma forma muito diferente da que conhecemos de estar no mundo e por mais que sejamos sensíveis às diferenças e que respeitemos as mesmas, lidar com uma pessoa que aparentemente não nos percebe ou entende o que falamos, que não interage correspondendo as nossas expectativas pode ser inquietante e até desconfortável.

Sensação de vazio… assim era a minha percepção no início desse trabalho. Suportar esse sentimento, fazer contato com outros vazios existentes em minha subjetividade e reconhecer essa dificuldade foram imprescindíveis para ampliar o meu olhar e a minha escuta, reposicionando-me como pessoa e educadora nesse contexto.

Do vazio… ao preenchimento. Essa experiência me fez refletir sobre a importância de enxergar além do que os olhos conseguem ver ou do que os sentidos são capazes de perceber.
E assim, atuando e olhando para aquela criança e reconhecendo todo o seu potencial, mesmo que não estivesse tangível, foi possível observá-la avançar, e muito, em seu desenvolvimento. Foram dois anos de vivência, num processo oscilante, mas que não se perdeu da certeza de que as conquistas, por mais sutis, estavam sendo consolidadas a cada dia em um contexto que exigiu persistência, amorosidade, contorno/limites e flexibilidade.

Fico com essa experiência riquíssima e convido todas as pessoas que de alguma forma lidam com crianças, adolescentes ou adultos com TEA, a acolherem esse desafio, a cuidarem de si, ao mesmo tempo em que busquem meios de informação e de atuação.

Volto a esse ponto do cuidado por acreditar ser imprescindível fazer contato com nossas próprias necessidades e dificuldades. É preciso reconhecê-las para aceitá-las, integrá-las e transformá-las…

Convicta dessa transformação, minha atuação profissional foi ampliada, integrada e, hoje, além dos alunos, chegam em meu consultório crianças com necessidades educativas especiais e suas famílias para, juntos, tecermos uma prática consciente e amorosa, que acolha e contemple todos os envolvidos nesse sistema.

FotoAdriana Cabral // Pedagoga
Psicopedagoga com abordagem sistêmica
Pós-graduada em Neuropsicologia
Aperfeiçoamento em autismo – teoria e prática (Psicopedagogia Especializada – Núcleo de Intervenção e Treinamento profissional)
Contato: adriana.eapp@gmail.com

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2 Comentários
  1. LUCIRENE
    22/01/16 - 17h59

    Meu único filho tem o transtorno TEA, as vezes me sinto tão impotente diante dessa situação. Quero o melhor para ele, que ele cresça como uma criança normal, que tenha condições de na sua vida adulta poder ser independente, trabalhar, namorar, casar ter filhos. Tenho muita fé que conseguirei alcançar essa graça. Mas as vezes me sinto só sem ter com quem trocar uma idéia sobre esse assunto. Nem todo mundo entende.

    • 25/01/16 - 20h23

      Lucirene, imagino como deve se sentir só.
      Será você não consegue um grupo com mães na mesma situação? Já procurou alguma coisa na internet?
      Beijos, gabriella

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